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Avô do André… [parte IV]

Dia 18 de Outubro foi um grande dia para mim. Comi a minha primeira francesinha!!

Mas a história é mais longa que isso.

Há uns quantos meses atrás, o André e eu tivemos a fascinante ideia de um dia fazermos a viagem de comboio até ao Porto (Campanhã) para comer uma Francesinha deliciosa que já lhe tinha ficado na memória. No entanto, o tempo ia passando e a oportunidade não surgia, até que uma semana antes da partida ele diz-me: “então e quando é que vamos ao Porto comer a francesinha, hã?” e eu respondi: “No próximo fim-de-semana”. Bom, nem é preciso dizer que ele não estava à espera de tal resposta mas logo alinhou.

Tudo planeadinho. Dia 18 de Outubro, entrei no comboio na Gare do Oriente para o Porto (Alfa-Pendular) e quando parou em Coimbra o meu amorzinho entrou no comboio e sentou-se ao meu lado, no seu lugar reservado. Assim fizemos a viagem até Campanhã, os dois juntinhos e ainda com algum sono mas muito felizes da vida. Chegámos a Campanhã ainda muito antes da hora do almoço, pelo que decidimos que seria uma boa ideia se o André me mostrasse um pouco do Porto que eu não conhecia. Fizemos um girozinho até à zona ribeirinha (ver aquelas casinhas cheias de janelas e velhinhas como o raio mas engraçadas), depois passámos pelo Pavilhão Rosa Mota e demos uma espreitadela, não chegámos a ir à Torre dos Clérigos mas ainda deu para ver e fomos à Casa da Música. Ah! Salientando que fizemos uma caminhada jeitosinha e que nos abriu o apetite. Assim, decidimos voltar de metro para Campanhã e ir à procura da tão desejada Francesinha. Encontrámos um sítio alternativo, comemos tudinho – era boa apesar do pêlo que apareceu lá e das batatas queimadas sem sal – e voltámos para Coimbra.

Pelo caminho o André teve a esplêndida ideia de eu conhecer o seu avô paterno naquele dia. Telefonou à Filomena e lá fomos nós buscá-la de carrinho, chegados a Coimbra, e partimos em direcção a Aveiro.

Comunicativo, experiente e sabedor, brincalhão e pensador… são algumas das características da grande pessoa que conheci naquele dia. O avô do André, o senhor João de quem eu tinha tanto “receio”, o “patriarca” =P Quando nos viu ficou feliz como nunca esperei que ficasse ao receber-nos, mas logo aí senti-me mais à vontade. Falámos bastante, ou melhor, ele falou bastante para nós e nós intervimos um pouquinho – não se imagina outro cenário com ele. Falou-me um pouco da sua actual condição de saúde e o seu desagrado com algumas instituições de saúde por onde passou… é triste, mas ainda existem e espero não ser apenas mais uma engrenagem nesse sistema. Adiante… Mostrou-me a sua casa, apresentou-me os SEUS quadros, sim… alguns de sua mão. E sempre muito bem-disposto, partilhando o seu conhecimento e impressões sobre o mais mundano até ao metafísico. Também conheci a sua esposa Áurea, pessoa que aparentemente tão bem complementa-o a nível funcional e afectivo. Um regalo para os olhos e para a alma, estar na presença daqueles dois.

Ainda antes de me ir embora e de um lanchezinho, foi-me oferecido  – pela mão do senhor João Pereira de Lemos, nascido em Vilar-Aveiro em 1932, avô do André – o seu último livro. Livro este que é um romance histórico e tem como título “ANTÓNIA, ANTÓNIO, ANTÓNIA – heroína aveirense em Mazagão” com direito a uma dedicatória, que me deixou muito feliz. Demorei cerca de duas semanas para ler o livro porque andei ocupada e quando não estava ocupada, era constantemente interrompida. Mas ontem decidi-me a acabar de ler o livro com meras 131 páginas e consegui! Gostei muito de ler o livro porque era essencialmente histórico e quem me conhece sabe que eu valorizo muito a História apesar de já não poder dedicar-me a ela. Gostei da escrita descritiva, gostei da trama mas não apreciei tanto o fim em que a heroína fica viúva com um filho pequeno nos braços e que vai crescer na corte longe dela para ocupar um cargo importante. Digamos que ela acabou sozinha. Bah!! Mas todo o livro é uma inspiração apesar de parecer um pouco fantasioso. Digo isto porque esperava que ela tivesse sido de algum modo “castigada” quando foi descoberta por fingir o seu género, e no entanto foi muito bem aceite porque conseguiram reconhecê-la como verdadeira heroína que ela foi. Acho um pouco difícil, apesar de ser o justo. E pronto, as ilustrações não são da autoria do autor João Pereira de Lemos e realmente deixam um pouco a desejar. Reveleram-se realmente dispensáveis, pois as descrições feitas pelo autor remetem-nos suavemente para o frio agreste e para os cenários coloridos e os sentimentos de cada personagem focada. Aconselho a quem se interessa pela História nacional e lê-se muito bem.

Escritor, Desenhador-Projectista, Pintor de azulejos

Escritor, Desenhador-Projectista, Pintor de azulejos

E pronto… é tudo por agora 😉

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